Tal pergunta não seria feita se a bye week do Carolina Panthers não estivesse programada tão tardiamente na temporada. Passadas 13 semanas de futebol americano, a franquia de Charlotte, o San Francisco 49ers, o New England Patriots e o New York Giants são as únicas organizações que têm folgas pendentes no calendário. Isso é bom ou ruim? Ainda não sabemos – e é normal que seja assim.
Afinal, ao mesmo tempo que os Panthers estão em alta ao destronar o detentor da seed 1 da NFC, Los Angeles Rams, no último domingo, as lesões passaram a ser fator determinante. No Monday Night Football contra os 49ers, estávamos sem Trevin Wallace e Christian Rozeboom e, ao longo do jogo, a lista cresceu com as concussões de Jaycee Horn e Claude Cherelus. No final, a cereja do bolo: suspensão de Tre’Von Moehrig para o duelo diante dos Rams, após confusão com Jauan Jennings.
Pode não parecer, mas a quantidade de jogos sem folga tem impacto no desgaste físico e mental dos jogadores. E uma semana na Fernando de Noronha americana, ou em um dos parques da Disney espalhados pelo território do Tio Sam, deve ter efeito positivo. O “deve”, nesse caso, não se trata de uma possibilidade e, sim, de uma obrigatoriedade. O Carolina Panthers precisa de seus jogadores na ponta dos cascos para a reta final da temporada.
O jogo contra o New Orleans Saints, apesar de teoricamente fácil, possui carga emocional. Uma semana a mais de descanso – e preparação para os treinadores – é importante para superar o fantasma da semana 10. Digo “fantasma” porque, não fosse a vitória espetacular contra o Atlanta Falcons na semana seguinte, poderíamos ter visto uma crise começar. O calouro Nic Scourton e o tackle Ickey Ekwonu chegaram a comentar, em entrevistas pós-jogo, que companheiros de equipe não se prepararam o suficiente para encarar os Saints.
Uma boa e convincente vitória contra os nossos maiores rivais é o que vai definir a tônica dos outros três duelos, dois deles contra o Tampa Bay Buccaneers. Os Buccs são adversários diretos por playoffs e varrê-los significa confirmar o retorno dos Panthers ao mata-mata da NFL depois de quase 10 anos de espera. A tarefa não será fácil. O carrasco Mike Evans, mesmo depois de, em determinado momento, ter sido descartado da temporada, teve a janela de treinos aberta nesta quarta-feira (3).
Mais do que enfrentar o elenco completo dos Buccaneers, o Carolina Panthers pode ter que decidir o seu futuro em um jogo de primetime. Segundo o setorista do time no The Athletic, Joe Person, tem sido debatida a possibilidade de o embate contra os Buccs “subir”, a depender das circunstâncias. Seria o primeiro horário nobre dos Panthers no mês de dezembro em um bom tempo (me permiti não pesquisar quanto) – e no Bank of America Stadium. Que roteiro, ein?
Ah, e ainda temos o Seattle Seahawks no meio do caminho. Um adversário que, provavelmente, estará pressionado em busca do título da NFC West. Hoje, a divisão tem o próprio Seahawks (9-3), os Rams (9-3) e os 49ers (9-4) brigando pela liderança. O reencontro com Sam Darnold terá um tempero especial. E esperamos que seja uma pimenta tão forte, mas tão forte, que faça Darnold ver os mesmos fantasmas que viu quando vestia a camisa do New York Jets.

