É uma pergunta que todo torcedor do Carolina Panthers tem se feito desde o apito final do Monday Night Football entre Atlanta Falcons e Los Angeles Rams. Até porque a vitória dos nossos rivais de divisão abriu uma possibilidade antes considerada improvável: a de empate triplo entre Panthers, Buccaneers e os próprios Falcons. Mesmo que a franquia de Charlotte perca para os Buccs no sábado, poderá suplicar por mais um triunfo de Atlanta no domingo, o que nos levaria aos playoffs por critérios de desempate. Mas não é só isso que passa pela cabeça do fã dos Cardiac Cats.
Pensando no embate de sábado, o mais importante, vem a reflexão do que vivemos nesta temporada. As alegrias, as tristezas, os momentos de êxtase e de raiva. Aliás, não só nesta temporada, mas ao longo de quase uma década que não vemos o time que aprendemos a amar no mata-mata da NFL. Passamos pela desintegração de um núcleo que ora pareceu invencível. Lesões, aposentadorias e debandadas, das justas às injustas. Vocês sabem do que estou falando. Cam, Luke, Greg, Thomas, Julius, Ryan.
Além deles, tiveram outros que foram capazes de cultivar o carinho da torcida, mas se renderam ao mesmo destino, por bem ou por mal. McCaffrey, Burns, Moore, Luvu, Thompson. A história recente do Carolina Panthers carrega dores e nuances difíceis de explicar para o senso comum. A felicidade de ter um franchise QB passou pela amargura de entregar a primeira escolha geral do Draft seguinte, por exemplo.
Todo esse conjunto nos leva à pergunta do título: será que estamos preparados? Preparados para dar o próximo passo e retornar à pós-temporada, comemorar de novo, sentir aquela sensação de missão cumprida. E, ao mesmo tempo, será que estamos preparados para sucumbir ao fracasso mais uma vez?
Temos que pensar no que essa vaga pode significar para uma torcida que aprendeu a se proteger do sofrimento, mas que nunca deixou de acreditar. É sobre voltar a vestir a camisa no dia seguinte com o peito estufado, não por soberba, mas por alívio. Por sentir que, depois de tantos anos engolindo piadas, mock drafts em outubro e promessas de reconstrução, finalmente há algo real para se apegar. Uma vitória contra os Buccaneers não apaga as feridas, mas as cicatriza. Dá sentido ao caminho tortuoso que percorremos desde o último janeiro em que fomos relevantes.
Mas há o outro lado. Sempre ele. A derrota. O balde de água fria. O silêncio depois do desgosto. A sensação conhecida de que “quase” é o nosso sobrenome. E isso dói porque reacende tudo. As escolhas erradas, os domingos vazios em dezembro, a esperança depositada cedo demais. Perder agora não seria apenas perder um jogo. Seria confirmar o medo que tentamos ignorar durante toda a temporada. O de que ainda não é a nossa vez, de que o processo cobra mais paciência do que o coração aguenta. De que o esforço não foi o suficiente.
Só que, mesmo assim, estaremos lá. Sofrendo a cada terceira descida, prendendo a respiração em cada passe longo, gritando com a TV como se Canales, Evero, Young, Dowdle, Brown e Horn pudessem ouvir. Porque torcer para o Carolina Panthers é aceitar o risco emocional como parte do pacto. É entender que amar esse time nunca foi fácil, mas sempre foi verdadeiro. Se os playoffs vierem, virão como um prêmio coletivo, uma catarse, um reencontro com quem fomos e com quem ainda ousamos ser. Se não vierem, ficará a dor, mas também a inabalável certeza de que não vamos parar de pulsar.
Talvez a pergunta ideal nunca tenha sido se estamos preparados. Talvez a resposta seja justamente que nunca estaremos. E, ainda assim, vamos. Porque torcer para o Carolina Panthers é continuar acreditando quando tudo ao redor manda desistir. Sábado não se trata de um jogo e, sim, de um chamado. Nós, como sempre, estaremos lá, rufando os tambores, de pé, anunciando ao mundo aquilo que nunca vai mudar: Keep Pounding.

