Draft

Mordendo a isca: e se os Panthers selecionarem um WR… de novo?

Estamos cada vez mais perto do Draft e é nessa época que os rumores começam a surgir aqui e acolá. E tudo parece um grande jogo em que os jogadores – e nós, os fãs – têm que adivinhar se o rumor é verdadeiro ou falso. Vivemos esse jogo em seu máximo no ano passado quando todas as informações indicavam que escolheríamos Jalon Walker na 8ª escolha geral, mas fomos surpreendidos pela escolha de Tetairoa McMillan.

Esse ano o que temos ouvido é que a posição de wide receiver está, pelo terceiro ano seguido, sob consideração do front office do Panthers na escolha de primeiro round. Não estou aqui para debater se é algo que eu faria ou se é plausível, até porque já fizemos isso no Podcast #211 que você pode ouvir aqui. Hoje iremos nos aprofundar nessa perspectiva e vermos quais são as reais possibilidades.

Vale o sonho

O WR Jordyn Tyson de Arizona State é um dos meus favoritos para o draft. Listado em 6’1’’ de altura e 203 libras, seu perfil atlético é bom e o favorece em uma de suas maiores qualidades: gerar separação. Com rotas limpas e objetivas, Tyson se tornou um alvo confiável e produtor em rotas de maior profundidade, estando no percentil 62 de ADOT (profundidade média por alvo) entre WRs draftados desde 2018 (via PFF). Ademais, gosto da capacidade de estender jogadas após a recepção, embora essa não seja uma opinião tão popular. Sua saúde e dificuldade em press coverage, no entanto, o fazem não ser tão badalado quanto poderia ser. 

O pacote Tyson é promissor e sua qualidade contra marcação homem a homem (3.44 jardas por rota corrida) certamente o farão sair no primeiro round dia 26. Mas a questão é: sobra na pick 19? Se sobrar, eu não hesitaria em trazê-lo para fazer companhia a Tetairoa McMillan e Jalen Coker. Até o momento da escrita deste texto, o Panthers não demonstrou interesse no jogador publicamente – seja por visitas top 30 ou reuniões durante o processo de draft.

Não na 19, mas…

Aqui eu acredito que haja 3 nomes em consideração: Omar Cooper Jr. de Indiana, KC Concepción de Texas A&M e Denzel Boston de Washington. Os 3 possuem visitas top 30 com os Panthers. Vamos analisá-los.

Omar Cooper Jr. acabou de ser campeão nacional com os Hoosiers e era o WR1 da campanha, postando 937 jardas e 13 touchdowns (incluindo playoffs). Seu perfil é similar ao de KC Concepción, o que pode indicar a direção que o Panthers quer seguir: um wide receiver de slot que produza jardas após a recepção.

Cooper é um bom corredor de rotas e bem rápido, ao menos no papel (4.42 no tiro de 40 jardas no Combine). Excelente contra marcações em zona e twitchy, isto é, difícil de tacklear na versão brasileira, Cooper Jr. consegue estender jogadas com certa facilidade, uma qualidade que o Panthers tem sentido muita falta nos últimos anos; em 2025, fomos somente o 25º time em jardas após a recepção. Qualquer ajuda nesse quesito é bem vinda.

Como dito anteriormente, Concepción e Cooper Jr. compartilham características de jogo. KC, no entanto, nunca teve um Fernando Mendoza em sua carreira, o que certamente acabou afetando seus números. Mesmo assim, é um excelente corredor de rotas com bons números contra marcação homem a homem, embora deixe a desejar contra marcação em zona. Notoriamente usado em screens e saindo do backfield, seu perfil aparenta ser levemente mais versátil que o de Cooper. Drops acabaram sendo um problema em sua carreira no College, mas eu, pessoalmente, não vejo tanto valor nesses números.

Denzel Boston, na outra mão, tem um perfil diferente desses dois discutidos anteriormente. E por este motivo eu não vejo tanto sentido na escolha. Vamos lá…

Um verdadeiro entusiasta do bully ball, Boston é um bom corredor de rotas que vence com sua fisicalidade no catch point. Em sua carreira no College, Denzel recebeu 61% (!!) dos alvos contestados que recebeu. Alinhado primariamente como um X, a sensação é que suas habilidades coincidiriam com as de Tetairoa McMillan e Jalen Coker em Carolina. Tanto T-Mac quanto Coker também são adeptos do bully ball até certo grau e atuam como X’s; Coker serve como slot em algumas situações, mas, entre as opções de ter três wide receivers capazes de estenderem o campo e brigarem por recepções na fisicalidade ou dois somados com um slot ágil e twitchy (lembra o significado?), eu prefiro a segunda opção. 

Também vale ressaltar seus números contra marcação em zona: são apenas 1.79 jardas por rota corrida contra esse esquema, o pior entre os quatro WRs citados neste texto até aqui. Em um fator que possui certa correlação com o sucesso traduzido pra NFL, é um número que não pode ser ignorado.

O que você faria?

Dentre esses quatro recebedores mencionados no texto, o único que eu escolheria na pick 19 sem peso na consciência seria Jordyn Tyson. Todos os outros me deixariam com um certo pé atrás na escolha.

Maaaaas, em um possível trade down, acredito que todos menos Denzel Boston me agradariam. Concepción e Omar Cooper estão em 35º e 24º na Big Board da PFF, então o final do primeiro round ou começo do segundo seria mais ou menos onde está o valor real deles. Antes disso eu considero arriscado e há movimentações melhores a se fazer.

Como disse no início do texto, isso não passa de especulação baseado nos rumores que temos ouvido. Se eles são verdadeiros ou não cabe a nós, jogadores, escolhermos onde colocar nossas crenças. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *