Free Agency

Free Agency: o quebra-cabeça dos tight ends em Carolina

Já discutimos a necessidade dos Panthers na posição de EDGE, mas ela não é o único fator que deve orientar as decisões do general manager Dan Morgan nesta Free Agency. Do outro lado da bola, onde o head coach Dave Canales tem influência direta, é fundamental seguir adicionando peças para consolidar o desenvolvimento de Bryce Young. Ainda mais em meio a rumores de uma possível extensão de contrato que colocaria o salário do quarterback na faixa de US$ 57 milhões anuais pelos próximos quatro anos.

Tetairoa McMillan foi uma excelente escolha no Draft de 2025, e Jalen Coker provou no Wild Card contra os Rams que, livre de lesões, pode contribuir – e muito – para o ataque aéreo. No entanto, além da profundidade ainda limitada no grupo de recebedores, o desempenho dos tight ends segue sendo um problema crônico.

Nas últimas cinco temporadas, a soma da produção de todos os tight ends dos Panthers não ultrapassou a marca de 700 jardas em nenhuma delas. Resumindo: entre 2021 e 2025, todos os tight ends que passaram por Carolina produziram cerca de 2.600 jardas TOTAIS. A título de comparação, Dallas Goedert, dos Eagles, longe de ser uma unanimidade na posição, acumula pouco mais de 3.200 jardas no mesmo recorte.

Os números mostram que as apostas em Ja’Tavion Sanders, Tommy Tremble, Hayden Hurst e Ian Thomas não se pagaram. Pelo contrário. Por isso, a posição de tight end é uma necessidade muito maior do que parece ser. A seguir, confira algumas das opções que podem ajudar a solucionar o problema, ou, ao menos, contorná-lo pelas próximas temporadas.

(era) Sonho

Kyle Pitts 

Pitts seria, sem o exagero do termo, um sonho para os Panthers na posição de tight end. Escolhido na quarta posição geral do Draft de 2021, ele mostrou o que é capaz de fazer quando ultrapassou a marca das 1.000 jardas como calouro. Após algumas temporadas irregulares, voltou a produzir em alto nível em 2025, com 928 jardas e 88 recepções (o maior número da carreira). 

Pitts é um atleta raro. Grande, explosivo e com técnica mais próxima de um wide receiver do que de um tight end tradicional. Ele pode esticar o campo pelo perímetro ou pelo meio, além de ter um route running com refinamento atípico para o seu tamanho, capaz de criar os chamados “mismatches” contra corners, safeties e linebackers. 

Possui limitações como bloqueador, mas isso passa a ser irrelevante no contexto de Carolina, que precisa de mais um alvo dominante no jogo aéreo para Bryce Young. Pitts seria o tipo de peça que a franquia não tem na posição há mais de uma década.

Dito tudo isso, poucos dias depois deste texto ter sido escrito, o Atlanta Falcons decidiu aplicar a franchise tag em Kyle Pitts. Covardes, mil vezes covardes.

Realidade

Isaiah Likely

Likely também se encaixa como um alvo interessante, mas mais realista, para os Panthers. Assim como Pitts, ele tem perfil versátil, capaz de alinhar inline, no slot ou aberto como recebedor. Nos Ravens, chegou a ser utilizado em motions pré-snap, algo valioso em um sistema ofensivo moderno como o de Canales. Isso sem contar com o apreço do head coach por formações mais pesadas.

É um route runner ok, com centro de gravidade baixo, e se destaca em disputas de bola 50–50. Também é bom após a recepção, com velocidade suficiente para gerar big plays. Likely é um jogador com alto piso e que pode ter encaixe imediato no esquema.

Em entrevista recente a Jon Gruden, Likely afirmou que quer assumir um papel maior na carreira.

“Eu só quero poder florescer. Sinto que nos últimos anos aprendi com um grande veterano, o Mark Andrews. Ele me ensinou tudo para ser um tight end de alto nível, a ponto de eu sentir que quero estar em um time onde eu esteja mais em campo e consiga ajudar um quarterback a marcar o máximo de pontos possível”, disse o jogador.

Alternativas

David Njoku

Njoku é outro nome que pode, na teoria, elevar o teto do ataque dos Panthers no jogo aéreo. Ele é um atleta que conta com todas as ferramentas, altura, peso e velocidade, e se destaca por ser difícil de derrubar após a recepção. Também tem como forte a agilidade nos cortes de rota.

Por outro lado, sua produção caiu na segunda metade da última temporada, quando perdeu espaço para o calouro Harold Fannin. Além disso, Njoku tem histórico extenso de lesões, o que pode ser um problema em termos de disponibilidade e planejamento de longo prazo para uma franquia que busca estabilidade.

Chig Okonkwo

Okonkwo tem estilo diferente dos outros da lista. Ele possui um frame pequeno para a posição, mas compensa com atleticismo acima da média. Já foi até alinhado no backfield como fullback, algo que amplia as possibilidades se Canales quiser ser mais criativo. Basicamente o que uma vez sonhamos fazer com Tremble.

É um nome subestimado. Mesmo em meio ao caos ofensivo que tomou o Tennessee Titans, tem conseguido produzir de forma consistente, na casa das 500 jardas por temporada. Em um ambiente mais favorável, podemos supor que ele ofereça um impacto maior do que o rótulo sugere.

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