Dave Canales assumiu o comando do Carolina Panthers na temporada de 2024, após ter recuperado a carreira de Baker Mayfield como coordenador ofensivo do Tampa Bay Buccaneers. Desde então, passou duas temporadas atuando não só como gestor de elenco dos Panthers, mas também como o único responsável pelas chamadas de jogadas ofensivas.
O começo foi promissor, sobretudo depois de uma temporada conturbada da franquia em 2023, onde vimos uma mudança constante de playcallers e, consequentemente, uma carência de identidade. Em seu ano de estreia, Canales encontrou um ataque em reestruturação, focado no desenvolvimento de Bryce Young, e terminou a campanha com uma média de 20.1 pontos por jogo, a 23ª melhor marca na NFL.
A expectativa cresceu para 2025, mas o desempenho não acompanhou. Os Panthers venceram a NFC South depois de 10 anos e foram aos playoffs, porém, paradoxalmente, a produção ofensiva sofreu regressão. O playcalling de Canales foi duramente criticado no decorrer da temporada, tido como conservador e previsível em determinados momentos. A média de pontos por jogo caiu para 18.3, 27º lugar entre as 32 equipes da NFL.
Pressionado, Canales resistiu firme e não cedeu o playcalling para o coordenador ofensivo Brad Idzik em 2025. Em 2026, no entanto, a corda parece ter se alongado além da conta do head coach, que anunciou, nesta terça-feira (24), que Idzik chamará as jogadas do ataque na próxima temporada. Portanto, o que esperar?
Por que pode dar certo
A principal vantagem de Brad Idzik assumir as chamadas ofensivas é o seu domínio absoluto da filosofia de Dave Canales, fruto de uma parceria de sete anos. A convivência garante que a transição de linguagem e a cultura do vestiário permaneçam basicamente intactas, sem qualquer necessidade de adaptação dos jogadores.
Além disso, Idzik está longe de ser um novato na estruturação do ataque da equipe. Nos últimos dois anos atuando como coordenador ofensivo, ele já era peça fundamental na organização dos treinos, no desenho de conceitos de passe e na montagem do roteiro inicial de jogadas, este, inclusive, um dos pontos fortes do time em 2025.
A mudança também pode trazer um benefício estrutural para o Carolina Panthers como um todo. Ao delegar as chamadas, Canales terá a oportunidade de adotar a famosa “visão de CEO” à beira do campo. Semelhante ao que Dan Campbell faz nos Lions, ou Nick Sirianni faz nos Eagles, dois dos times mais bem sucedidos da NFL.
Liberado da microgestão de cada descida ofensiva, o head coach poderá focar no panorama geral da partida, aprimorando o gerenciamento do relógio, um problema crônico de Canales, e os desafios de arbitragem. Pensando por esse lado, a ascensão de Idzik tem o potencial de oxigenar o ataque e elevar o nível de organização e a eficiência da equipe.
Por que pode dar errado
O grande risco dessa transição é a falta de experiência de Idzik como playcaller na NFL. Embora ele supostamente saiba montar planos de jogo durante a semana, a dinâmica de escolher a jogada ideal sob a pressão do relógio, sobretudo em situações cruciais contra as defesas complexas da NFL, exige uma tomada de decisão que beira a perfeição. Essa é uma curva de aprendizado íngreme que ele precisará superar logo de cara e, talvez, em tempo recorde.
Além disso, ele assume a responsabilidade de consertar um ataque que se mostrou ineficiente. Se a falha estava apenas no conservadorismo das chamadas de Canales, a troca surtirá efeito. Porém, se o problema for estrutural no esquema tático que o próprio Idzik ajudou a construir, apenas mudar quem segura o rádio não vai resolver a falta de explosividade.
Na NFL há uma pressão implacável por resultados imediatos. O Carolina Panthers conseguiu chegar aos playoffs em 2025 muito em função de uma divisão enfraquecida, e a franquia precisa de um salto real de qualidade ofensiva para competir de verdade na NFC. Isso deixa pouquíssima margem para erros ou para uma longa adaptação do novo responsável pelas chamadas.

