Para quem não conhece, o Montezum é uma montanha russa do Hopi Hari. Uma das maiores do Brasil, conhecida por suas subidas e descidas, e por chacoalhar muito. Provavelmente o roteirista da temporada 2025 dos Panthers se inspirou nela. Depois de um começo completamente desfavorável na temporada, a retomada da confiança e uma vitória emblemática contra os Packers em Green Bay, a derrota para os Saints em casa foi a descida depois de subir muito, com altos níveis de emoção. Com um recorde de 5-5 e indo visitar os rivais de Atlanta, o cenário era de incerteza, ansiedade. Aquele mesmo friozinho na barriga que acontece quando a subida termina e você espera o momento da queda. A partida em si foi o microcosmo de toda essa temporada.
Se o Montezum é famoso por começar com aquela subida lenta, rangendo os trilhos enquanto o carrinho escala o céu do Hopi Hari, o jogo do último domingo não foi diferente. Os Panthers começaram o duelo puxando o carrinho com firmeza: Bryce Young encontrou Tetairoa McMillan logo cedo, como se estivesse dizendo para todo mundo no carrinho: “Segurem firme, a subida vai começar.”
Mas não demora muito para o Montezum mostrar suas intenções. E os Falcons foram a gravidade puxando tudo de volta. Primeiro com Bijan Robinson entrando na endzone duas vezes — foi como se alguém tivesse soltado o carrinho antes da hora. A queda veio de uma vez, brusca, sem aviso. Cada corrida dele era um tranco lateral, cada avanço um daqueles momentos em que você pensa: “Ok… acho que isso aqui vai sacudir.” E sacudiu.
Bryce Young, então, viveu seu próprio chacoalhão: o golpe no tornozelo no final do primeiro tempo foi equivalente àquele trecho do Montezum em que o carrinho dá uma vibração estranha, como se algo estivesse fora do lugar. Todo mundo olha pro lado, tenta manter o sorriso, mas sabe que não é bom sinal. Era Bryce tentando ficar em pé no próprio trilho.
Ainda assim, a segunda metade foi a parte em que o carrinho ganha velocidade e encontra um novo fôlego. No terceiro quarto, Young começou a soltar passes longos como quem solta as mãos no ar, encarando o vento no rosto e curtindo uma tarde sem muitas amarras. Teve conexão com Xavier Legette, teve drive promissor, teve a sensação de que os Panthers estavam voltando a subir outro morro.
Até que veio o momento clássico do Montezum: aquele trecho falso de calmaria, em que a montanha-russa parece desacelerar, até virar uma descida enorme que você não estava esperando. Veio o drive final.
Veio o passe para McMillan na endzone. Veio a conversão de dois pontos. Panthers na frente. O carrinho lá no alto, todo mundo gritando, vibrando, acreditando.
Só que toda subida tem sua queda. E os Falcons, com 16 segundos no relógio, chutaram um field goal certeiro para empatar — aquele momento quando você acha que a montanha-russa acabou, mas aí ela vira e dá mais uma volta inesperada. A torcida dos Panthers, assim como os passageiros do Montezum, só conseguiu segurar as barras laterais e esperar.
Na prorrogação, o carrinho finalmente encontrou seu último loop. A defesa parou Atlanta como se tivesse travado os trilhos. Young, mesmo mancando, lançou aquele passe de 54 jardas para Tommy Tremble — um daqueles momentos em que o carrinho pega velocidade descendo uma ladeira reta, sem piedade. E então, o chute final, 28 jardas. Fitzgerald acertou. Carrinho estacionando. Cintos destravando. Todo mundo descendo tremendo as pernas, rindo, comemorando — aquela mistura de sobrevivência e euforia. Porque o jogo de ontem não foi só um Panthers e Falcons. Foi Montezum, versão americana: rápido, imprevisível, barulhento, cheio de quedas, curvas impossíveis, sustos e um final catártico.
E como toda boa montanha-russa, a pergunta fica no ar: Quer ir de novo?

